as pessoas simplesmente não amam,

porque amar dói.
e perder o que você ama, dói absurdamente mais.
nessas horas morrer de amor é mais facil,
do que sobreviver com a perda, o vazio, a falta, a saudade.

sobreviver sem amor, e viver morrendo
todo dia, sentir a dor da morte e ainda assim,

continuar..

pra onde fugir quando

o que esta te matando está


dentro de você?

e eu que

achava que tinha sofrido o suficiente na minha vida,
mal sabia o que estava por vir.

a vida é uma surpresa

que pra mim, na maioria das vezes,


não é boa.

11-12-11

o dia em que,
a minha vida caiu

do decimo sexto andar


:'/

horário de pico em Curitiba..

o sol se despedia tímido entre as nuvens, e o onibus andava lentamente entre os bairros. estava tão cansada que, por descuido sentiu que agradecia a Deus em pensamento por conseguir um lugar para sentar. tentou tirar um cochilo mas desistiu, ficou então observando a paisagem que para ela, ainda era desconhecida.
passou por algumas mansões com seus enormes jardins, arbustos em formatos de ursos, estrelas.. tudo estrategicamente podado por pessoas contratadas para isto.
algumas casinhas mais humildes com a grama por cortar, o numero da casa feito a mão com tinta guache.. será que aquilo era numero 108 ou 109? talvez 103..
ela se entristeceu, e chorou. chorou forte, alto como uma criança. as pessoas a olhavam mas, ninguém ousou perguntar o que houve exeto uma velhinha com os olhos azuis enormes e cansados. a pobre menina não podia dizer. ninguém a entenderia. ninguém.



ninguem sabe o que é pegar um onibus e ir pra lugar algum. as pessoas reclamam que sua casa não é bonita do jeito que gostariam, ou que é pequena demais, ou que a cor não é a sua preferida.
as pessoas reclamam de tantas coisas fúteis ..
reclamam que tem que estudar, que os pais mandam lavar a louça, limpar o quarto..

essas pessoas não sabem, e espero que nunca saibam a dor que é

não ter pra onde ir depois do trabalho, não ter um lugar pra descançar..
um lugar pra chamar de seu..

um lugar pra chamar de casa.

o susto foi tão grande

eu pude sentir seu desespero, ela correu de mim com todas as suas forças.
fugiu como se estivesse entre a vida e a morte,

eu sendo sua caçadora, ela, minha presa.

não sabia o que fazer, pedi para que ela esperasse
mas ela ficou traumatizada, me olhava em pânico, e continuava a correr.
ela se foi, e não disse para onde ia..
o que será de mim agora?


ouvi dizer que a única coisa que Deus quer da gente é ela..
então talvez seja porisso..



acho que não se tem muito o que fazer com uma pessoa sem alma não é?

e eu fiquei ali vendo a minha alma,

arrumar suas malas e partir.
queria pedir para que ela ficasse mas, acho que dessa vez foi demais.
fiquei chorando por dias seguidos, esperando que ela voltasse

eu ficava preocupada, e não parava de pensar "e se ela não souber voltar?" "e se ela estiver perdida por aí?"


ela se foi, e não foi só
levou consigo minha fome de viver



agora a vida me da náuseas..

não sobrou espaço pra mais nada.

eu só sinto dor.
por dias seguidos,me contorci, gemi, chorei, gritei e continou ali agarrada no peito outra vez.
como erva daninha em terreno fertil, não consigo tira-la de mim,
suas raizes se agarraram até o meu lugar mais profundo.

fecha minha garganta, e me aperta,
e continua a me apertar

até eu não conseguir ma.. .. is


res.................. pi...................... rar..

e por mais que eu lute, não ha um só dia que eu não lembre.

um só dia que eu não chore. há dias que eu quase não choro e me orgulho. vou dormir cheia de esperanças de que um dia conseguirei. e no dia seguinte nunca é..




e logo eu que sempre fui forte.
e logo eu que sempre me achei inatingível.


virei a presa predileta da maior caçadora de corações do mundo.


a dor

então eu tentei mudar a estratégia.

eu não espero, eu não me decepciono e eu não sofro.

eu esperei que desse certo,
e esse foi meu erro.


porque a primeira mudança seria não esperar lembra?



droga..